Contrariando a lógica: a classificação da Primeira Liga após a pandemia de coronavírus

Campeonato Português teve uma peculiaridade inesperada na reta final com estádios vazios

Porto comemora título da Primeira Liga 2019/20 (Reprodução/Primeira Liga/Betsul)

Com uma 34ª rodada espetacular, chegou ao fim a Primeira Liga, que contou com transmissão do Betsul em sua reta final. O Porto foi campeão, o Benfica entrou em crise e tenta apagá-la com Jorge Jesus, o Rio Ave conseguiu uma classificação histórica à Liga Europa, o Famalicão vacilou e perdeu essa vaga e o Portimonense bem que tentou, mas não conseguiu escapar do rebaixamento. Tudo isso você já sabe, não é mesmo.

O que talvez você ainda não saiba é que das principais ligas europeias, o Campeonato Português foi o único que ao retomar apresentou um dado muito curioso e que torna essa temporada da competição ainda mais peculiar: os mandantes foram muito melhores quando jogaram com seus estádios vazios. Contrariando a lógica, em Portugal, atuar sem uma atmosfera favorável foi sinal de melhora na performance.

Na Bundesliga, a queda de aproveitamento dos mandantes chegou a quase 11%, na La Liga ficou em 7% e na Premier League se manteve (foi uma variação de apenas 0,86%). A Serie A, na Itália, ainda está em andamento. Em Portugal, por incrível que pareça, a diferença é muito considerável.

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Como eram e como ficaram os aproveitamentos dos mandantes

Antes da paralisação, na 25ª rodada, os mandantes da Primeira Liga tiveram aproveitamento de 48,46%. Em 216 partidas, venceram 86, perderam 74 e empataram mais 56 vezes. Com 284 gols marcados, os times da casa tiveram média de 1,31 gol por partida diante de seu torcedor. Por outro lado, sofreram 244 tentos, uma média de 1,13 gol concedido por duelo.

Da 25ª rodada em diante, foram realizados mais 90 confrontos. Destes, 41 foram vencidos pelo dono da casa, 23 ficaram na conta dos visitantes e outros 26 terminaram empatados. Assim, o aproveitamento com as arquibancadas vazias subiu para 55,19% (variação de 6,73%).

De maneira geral, quem se deu bem com a pausa?

Levando em conta todos os jogos, tanto em casa quanto fora, mas em ambos os casos após a paralisação devido ao coronavírus, ou seja, sem torcida, o que podemos perceber na Primeira Liga é que o período sem futebol foi benéfico para a maioria das equipes, tendo sido prejudicial, principalmente para os líderes do campeonato.

Apenas sete times foram pior depois da paralisação: Porto, Benfica, Braga, Vitória de Guimarães, Vitória de Setúbal, Belenenses e Desportivo Aves. Os outros 11 clubes variaram suas performances positivamente depois de cerca de 100 dias sem uma partida oficial. 

Falando primeiro das pioras, a do Benfica foi a mais acentuada, passando de um aproveitamento de 81,9% para apenas 60% (queda de 21,9%). No entanto, vale lembrar que antes mesmo da paralisação, as Águias vinham em uma situação péssima, que não mudou com a pandemia. Isso pôde ser visto em outros casos, como com o Schalke 04 na Alemanha e com o Valencia na Espanha.

Na sequência, aparecem Vitória de Setúbal e Braga, com números parecidos. O primeiro, foi 18,9% pior na segunda parte da Primeira Liga; o segundo bateu 17,2% de queda de rendimento no número de pontos somados.

Campeão, o Porto foi 10% pior em seu aproveitamento após a paralisação. Ainda assim, foi o melhor time da reta final do Português, com 73,3% dos pontos conquistados. Os desempenhos de Vitória de Guimarães, Belenenses e Desportivo Aves variaram pouco negativamente.

Lembra que falamos sobre 11 times que foram melhores? De fato, apenas três conseguiram melhoras consideráveis depois da crise causada pelo novo coronavírus, e, coincidentemente, todos eles brigaram nesta reta final para fugir da zona de rebaixamento. Do Sporting, 4º colocado, até o Tondela, 14º (antes da paralisação), os oito clubes que melhoraram não tiveram uma variação positiva maior do que 5,3% (Famalicão). A maioria deles melhorou não mais do que 2%, um número muito baixo para tirar alguma conclusão.

Já Marítimo, Paços Ferreira e Portimonense foram os três que realmente foram bem superiores depois da pausa. Este último, aliás, foi o que mais aprimorou seu aproveitamento, passando de 22,2% para 56,7% (+ 34,4%). O Paços vem na sequência, com variação positiva de 26,1% (de 30,6% para 56,7%). Já a recuperação do Marítimo foi um pouco mais tímida, subindo de 33,3% para 50% (16,7% melhor).

Existe um outro fato interessante sobre a Primeira Liga: só dois times conseguiram melhorar as performances ofensivas e defensivas ao mesmo tempo. Foram eles: Marítimo e Portimonense. Os demais, quando melhoraram o ataque, no máximo, mantiveram a defesa, ou vice-versa.

O Porto, que passou de 2,08 para 2,40 gols marcados por partida e que manteve o 0,6 gol sofrido de média piorou seu aproveitamento geral, já o Moreirense que piorou a média de gol de 1,42 para 0,8, mas manteve os números defensivos por volta de 1,3 melhorou o aproveitamento, mostrando também que mais do que apenas apresentar estatísticas melhores ou piores, a diferença entre alguns times foi a eficiência. 

Os mandantes de estádio vazio

Como já falamos, os mandantes foram muito melhores sem torcida na reta final da Primeira Liga, mas nem todos acompanham essa tendência. De fato, 11 dos 18 times variou para mais, enquanto dois mantiveram número igual ou muito próximo de aproveitamento, enquanto outros seis foram ligeiramente ou muito piores.

Em números absolutos, Porto (100%), Sporting (86,7%) e Portimonense (72,2%) foram os melhores mandantes da reta final do Campeonato Português, mas não, necessariamente, os que mais evoluíram entre os períodos pré e pós-pandemia. Na verdade, o Portimonense foi o que mais melhorou, com 44,9% a mais de aproveitamento em seu estádio sem torcida.

A discrepância é tão grande que o segundo time que mais aproveitou as arquibancadas vazias em casa é o Boavista, com aumento de 23,9% (passou de 36,1% para 60%). Marítimo e Sporting também beiram os 20%.

Moreirense e Famalicão foram os mais “prejudicados” pela ausência do torcedor no estádio. Se nas últimas 10 rodadas eles foram levemente melhores do que nas primeiras 24, de maneira geral, ambos pioraram muito desde que tiveram que mandar seus jogos com portões fechados. O primeiro, que tinha 58,3% de aproveitamento viu esse número despencar para apenas 20%. Já o segundo que estava com o mesmo aproveitamento, terminou a reta final com apenas 40%, variação de 18,3% entre os dois períodos.

Os visitantes sem pressão extra

Se os mandantes foram superiores sem torcida, isso implica dizer que muitos clubes perderam mais pontos quando visitaram seus oponentes em estádios vazios. Para ser mais exato, 12 dos 18 clubes do Campeonato Português não aproveitaram essa condição diferente da temporada e pioraram.

O interessante é que os seis times que roubaram mais pontos dos donos da casa sem torcida adversária fizeram isso muito melhor do que antes, melhorando bastante na maioria dos casos. Apenas o Rio Ave ficou abaixo dos 10% de melhora (8,3%). Marítimo aumentou em 12,2% o aproveitamento, Portimonense subiu 15,4%, Famalicão foi 28,9% melhor, Paços de Ferreira alcançou número 28,9% superior e Moreirense ficou positivo em incríveis 41,7%.

As maiores quedas de desempenho como visitantes aconteceram justamente entre os líderes da Primeira Liga. Porto, Benfica e Braga foram pelo menos 30% piores e terminaram com números péssimos para clubes deste tamanho. O Sporting também piorou de maneira considerável, assim como Vitória de Setúbal e Boavista. Os demais caíram em menor proporção.

O que podemos concluir?

Depois de analisar quatro grandes ligas europeias que paralisaram e retornaram sem torcida, o que podemos dizer é que não dá para cravar que jogos sem público favorecem os times visitantes. Se em alguns casos isso foi realidade, na Primeira Liga o argumento desaparece. No entanto, vale dizer que a influência negativa para o mandante, quando houve, foi superior ao benefício que proporcionou para os donos da casa.

Na Bundesliga, por exemplo, a queda de rendimento do visitante sem torcida foi de quase 11%, enquanto na Primeira Liga esse aproveitamento subiu apenas cerca de 7%.

Ao final da Serie A, campeonato em que o Betsul também prepara um comparativo, poderemos, talvez, trazer um cenário mais "padronizado" sobre a atípica temporada europeia.

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